by Carlos Silva | Dez 3, 2017 | Aquacultura, Aquicultura
O Natal está a chegar e com ele, o rei da consoada na mesa dos portugueses, o bacalhau. Mas teremos bacalhau por mais quanto tempo? Que soluções existem para que ele nunca falte à mesa?
O que consumimos?
A espécie que os portugueses bem conhecem é o bacalhau-do-Atlântico ou, como se diz na Ciência, Gadus morhua, e como o nome o indica, é originário do Atlântico Norte, desde da Noruega até à costa leste do Canadá. É um peixe maioritariamente proveniente da pesca de animais selvagens, não sendo ainda produzido em aquacultura em larga escala. Desde de há várias décadas que tem sido alvo de pesca intensa, tendo havido uma diminuição dos efectivos nas populações selvagens e consequentemente, tem sido classificada como espécie vulnerável na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais.
Ameaças à produção de bacalhau
A sobre pesca tem desencadeado numerosos estudos e quotas de pesca baseadas nestes que permitam uma exploração sustentável do recurso. Uma alternativa à pesca desta espécie seria a pesca do bacalhau-do-Pacífico (Gadus macrocephalus), uma espécie muito aparentada mas mais pequena, presente no Pacífico Norte e cujo estatuto de conservação é menos preocupante do que o bacalhau-do-Atlântico, apesar de haver necessidade em recorrer a mais estudos para poder ter uma ideia mais clara sobre os efectivos populacionais deste parente próximo do “nosso bacalhau”. Uma outra alternativa seria o seu cultivo em aquacultura mas, apesar da produção estar bem dominada (produção essa, semelhante à do salmão), o seu valor actual e as quotas de pesca relativamente substanciais dos peixes selvagens não a torna apetecível como espécie a produzir em cativeiro, por enquanto.
Bacalhau na Aquacultura
O bacalhau que tem sido produzido em aquacultura é maioritariamente para o mercado regional e é vendido como peixe fresco. Contrariamente, o bacalhau que Portugal importa e que é conservado em sal, continua a ser de origem selvagem, oriundo da pesca no Atlântico Norte, por enquanto.
Numa nota de curiosidade, a Noruega continua a ser o principal fornecedor deste peixe a Portugal e a sua exportação deste país para o nosso em 2015 foi de 48.528 toneladas, o que representa quase um terço das exportações de bacalhau deste país nórdico (Ferreira, Almeida, Prata, Teodoro, & RTP, 2016).
by Carlos Silva | Nov 13, 2017 | Aquacultura, Aquicultura
Embarcar numa actividade como é a aquacultura é como abraçar qualquer outro tipo de actividade: é imperativo ter conhecimento técnico, um local apropriado e um projecto exequível. Acima de tudo é preciso ter também um gosto especial pela actividade, ser resiliente e estar pronto para “deitar as mãos á massa”.
O que precisa para começar o seu projecto aquícola?
Para começar é necessário ter um local onde a actividade seja possível mas por si só, não chega. É necessário um local que permita a implantação de um estabelecimento que seja viável nos pontos de vistas técnico, económico e financeiro. A importância da escolha do local é tal que vai ser este que vai ditar quais são os principais parâmetros de produção, as características das construções, os equipamentos e as técnicas empregues. É obvio optar pela produção de animais dulciaquícolas quando se está junto de uma fonte de água doce. O local pode ser de carácter privado (comprado, arrendado ou comodatado) ou público onde as autoridades lançam um concurso para saber se há mais algum promotor interessado em explorar aquele local.
A escolha do que produzir!
De seguida, deve-se escolher o que produzir, com que métodos e equipamentos. Aqui revela-se a importância de se elaborar um estudo que indique precisamente isso, ou seja: quais as espécies que o local permita produzir e se estas espécies têm valor comercial que torne o empreendimento viável e os métodos de produção e equipamentos necessários conforme o grau de qualidade que se espera obter e a quantidade que se deseja produzir. Também é preciso ter em consideração os aspectos ambientais, as acessibilidades e as condições pré-existentes (se o local tem ligação à rede eléctrica pública, por exemplo).
Análise de mercado
Finalmente, é primordial fazer uma avaliação de mercado para determinar se os produtos que se pretende vender serão absorvidos pelo mercado, pois, para além de produzir, é preciso vender também! Os mercados mais atractivos, para determinada espécie, podem ser a nível local, nacional como podem estar no estrangeiro e a estratégia de negócio também deve contemplar este aspecto.
Todos os projectos são únicos e, cabe ao promotor aconselhar-se tecnicamente com quem sabe, que é o primeiro passo a dar quando se pretende ingressar nesta actividade.
Ter um bom apoio permite-lhe ter a melhor informação no que diz respeito as aspectos técnicos do negócio, bem como a saber quais são as opções disponíveis para incentivos, permitindo-lhe ter a possibilidade de tirar o melhor rendimento no seu projecto de aquacultura!
by Carlos Silva | Out 5, 2017 | Aquacultura, Aquicultura
A produção aquícola está cada vez a assumir maior importância. Em aquacultura, existem várias maneiras diferentes de produzir pescado e cada uma delas permite, até um certo ponto, controlar a produção em aquacultura e os diferentes factores que ditam como esta vai decorrer, bem como com que qualidade ficam os nossos produtos.
Métodos de controlar produção em aquacultura
Os métodos mais económicos, mais simples mas menos produtivos são os que oferecem um menor controlo das condições de produção, como acontece em lagoas com alimentação em regime extensivo, onde se aprisiona peixes juvenis e não se intervém mais na produção até à pesca dos peixes crescidos. Dá muito pouco trabalho, requer poucos meios e também a safra é diminuta mas geralmente esta é de excelente qualidade. É um método arcaico e artesanal.
Por outro lado, se se quiser controlar os tempos de crescimento, a quantidade e qualidade do produto, a origem dos juvenis ou das larvas, será necessário um grande investimento, equipamentos modernos e complexos, uma equipa técnica bem treinada e uma planificação sofisticada. Aqui podemos estar a falar de regimes de alimentação semi-intensivo e intensivo, onde neste último, o controlo é quase absoluto, monitorizando a qualidade da água, doseando a ração, separando os indivíduos por classes de tamanho e em espaços pré-determinados. Os parâmetros de produção são mantidos em níveis óptimos e a grande custo, para se obter uma quantidade máxima de pescado no menor espaço de tempo, com a qualidade desejada e um máximo rendimento. Comparando com o regime extensivo, o decréscimo da qualidade observado em unidades intensivas é contrabalançado pelo imenso volume que se obtém no final do ciclo.
Como escolher
O nível de controlo obtido numa actividade como é a aquacultura depende das espécies a produzir, das características do local, do método de produção e do financiamento disponível. Todos os projectos são ajustáveis ao desejo do promotor e o aconselhamento técnico é o primeiro passo a dar quando se pretende ingressar na actividade.
by Carlos Silva | Ago 9, 2017 | Aquacultura, Aquicultura, Sem categoria
O robalo ou robalo legítimo (Dicentrarchus labrax) é um peixe comum na região do Atlântico que banha a Europa e o noroeste africano, desde da Noruega ao Senegal, no mar Mediterrâneo e no mar Negro. São encontrados junto à costa mas também e principalmente de verão nos estuários, rias e lagunas costeiras. São peixes vorazes que predam outros peixes, crustáceos e moluscos. Os robalos que povoam o atlântico crescem mais devagar e atingem a maturidade sexual mais tardiamente do que os do Mediterrâneo por este ter águas mais quentes.
Este peixe é muito apreciado na culinária mediterrânica sendo um peixe de eleição e consequentemente muito procurado. É uma espécie importante tanto para a pesca como para a aquacultura.
A produção de robalo de aquacultura
Antes dos anos 60
Já há muito tempo que o robalo é produzido em aquacultura. Antes dos anos 60, a produção de robalo limitava-se ao regime extensivo, onde o peixe cresce naturalmente em lagoas e sem qualquer adição de alimento. No início do ciclo produtivo, é favorecida a entrada de peixes juvenis selvagens de robalo e de outras espécies também, em lagoas ou esteiros de áreas amplas, sendo depois a entrada vedada. Aí o peixe cresce ao seu ritmo e alimenta-se do alimento natural presente na lagoa mas é também sujeito aos seus predadores. A intervenção humana é mínima ou inexistente e se esta existir é no sentido de aumentar a produtividade do meio mas sem alimentar directamente os peixes. Com este método espera-se uma produção anual que ronda os 150kg por hectare.
Depois dos anos 60
A partir dos anos 60, com o desenvolvimento das técnicas de reprodução e engorda em cativeiro, houve um aumento substancial da produção deste peixe de viveiro, juntamente com a dourada que tem características e métodos produtivos semelhantes. Este aumento deve-se à produção em regime semi-intensivo, com alimentação natural complementado com ração e densidades a rondar os 4kg de peixe por m3 de água e a de regime intensivo com alimentação natural praticamente inexistente e densidades a rondar os 20 a 25kg por m3. Sendo uma espécie nativa das águas europeias, 80% da produção mundial é feita na Europa e só 10% do robalo comercializado a nível mundial é selvagem sendo os restantes 90% oriundos da aquacultura.
O peixe português é mundialmente reconhecido como sendo dos melhores e mais saborosos do mundo e no que diz respeito à aquacultura, com práticas adequadas e equilibradas, podemos afirmar o mesmo sem dúvida alguma. Por isso, a aquacultura em Portugal deve-se focar mais na qualidade do seu pescado do que na quantidade, apostando na produção extensiva e semi-intensiva do robalo.
by Carlos Silva | Jul 4, 2017 | Aquacultura, Aquicultura
A amêijoa é um bivalve muito comum nas costas portuguesas sendo também um ingrediente importante na culinária lusa. Existem várias espécies, destacando a amêijoa-legítima, a amêijoa-fina ou a amêijoa-boa, todas elas designações comuns para a espécie Ruditapes decussatus, como sendo a mais produzida em Portugal. Também se exploram outras espécies como a amêijoa-macha ou amêijoa-babosa (Venerupis pullastra) e a amêijoa-vermelha (Venerupis rhomboideus).
Características
São espécies que vivem principalmente em fundos arenosos e comuns nas águas salobras de estuários e outros sistemas lagunares costeiros, até aos vinte metros de profundidade. Dada a sua natureza filtradora, elas estão dependentes da presença de microalgas para se alimentar e também estão sujeitas às marés vermelhas que são microalgas tóxicas em elevadas concentrações e que podem dizimar populações inteiras de animais aquáticos, nos casos mais graves, incluindo as amêijoas. Estas, se não morrerem, ficam contaminadas, sendo o seu consumo eventualmente perigoso e a evitar.
Técnicas de captura de amêijoa
As técnicas mais usadas pelos mariscadores para a sua captura são o arrasto de fundo, as dragas e a apanha á mão. Alguns recorrem à aquicultura para as produzir, através da sua cultura em regime extensivo, espalhando sementes de amêijoas previamente capturadas ou compradas em maternidades por áreas pré-escolhidas e colhendo-as passando cerca de dois a três anos depois, quando estas atingem um tamanho comercial, com pelo menos um mínimo legal de 4cm de comprimento (no seu eixo maior). A amêijoa-boa pode chegar aos 8cm de tamanho e é maioritariamente cultivada ao longo da costa Atlântica, de França à península Ibérica e na parte mais ocidental da bacia Mediterrânica, nomeadamente, na Itália e na Argélia. As capturas totais em Portugal, no ano 2011, foram de 2339 toneladas, sendo a principal zona de produção localizada na Ria Formosa.
Utilidade e importância
É um bivalve muito apreciado e que atinge o maior valor comercial na Europa e para além do seu uso na culinária, também é utilizada como bioindicador da qualidade ambiental. Como acontece com outros bivalves cuja actividade filtradora permite a acumulação nos seus tecidos de compostos químicos e micro-organismos presentes no meio ambiente, a análise dos tecidos destes bivalves permite obter uma clara indicação de presença de poluentes, de agentes causadores de doenças ou, na sua ausência, confirmar a boa qualidade da água.