Em março chega a primavera, a temperatura aumenta gradualmente e muitos começam já a sonhar com o verão!
Conhecida como a “estação das flores”, a primavera em Portugal é famosa pelo abrolhamento de maioria das espécies que o leitor poderá ter na sua horta, inclusive algumas espécies que, com algum cuidado, poderá preservar de um ano para o outro preservando as variedades que tanto aprecia.
A estas espécies que permitem a conservação, dá-se o nome de bulbosas e podem ter várias formas, como bolbos, tubérculos, rizomas, entre outros. Nesta HortAmada, falaremos dos bolbos, o que são e como é que podem ser reservados para uma próxima plantação.
Afinal, o que são bolbos?
Existem determinadas espécies pertencentes a famílias como as Liliaceae, à qual pertencem o Lílio e a Tulipa, as Amaryllidaceae, à qual pertencem o Narciso, e todas as espécies pertencentes às Alliaceae que engloba alguns dos alimentos que provavelmente utiliza todos os dias, como o alho e a cebola que desenvolvem bolbos. Este processo dá-se devido à necessidade de sobreviver a uma época mais desfavorável, como a ocorrência de geadas e diminuição da temperatura.
Dentro do bolbo, vai encontrar um botão floral rodeado de folhas escamiformes (escamas) que armazenam os nutrientes necessários ao desenvolvimento e emergência da flor e das raízes. Na base, encontrará uma estrutura preparada para o desenvolvimento das raízes que, posteriormente, fornecerá água e nutrientes à planta.
Como preservar um bolbo?
Graças a este sistema de sobrevivência, é possível utilizar e reutilizar a planta durante vários anos, fornecendo-lhe o título de planta perene.
Para tal, existem várias dicas nas quais poderá basear-se para armazenar os bolbos para o ano seguinte:
- Deixe a planta secar – apesar de serem as raízes que recolhem a água e os nutrientes, são as folhas que transformam esta matéria prima em energia e reservas, nomeadamente amido, lípidos, açúcares, entre outros, que vão ficar armazenados nos bolbos. Assim, a remoção do bolbo deverá ser realizada apenas quando a planta secar;
- Retirar o excesso de humidade – a humidade permite o desenvolvimento de fungos que, por sua vez, leva ao apodrecimento do bolbo. Assim, de forma a evitar a propagação de Botritys (fungo aéreo que provoca podridão) é sensato secar o bolbo antes de o armazenar;
- Limpeza e seleção – excesso de terra e a seleção de bolbos sãos e doentes é extremamente importante, pois limita a probabilidade de propagação de doenças. Ao realizar este passo, tenha em conta que a abertura de feridas no bolbo é uma porta de entrada para agentes patogénicos, pelo que a limpeza deve ser realizada sem danificar os mesmos;
- Armazenamento – de forma a armazenar os bolbos, recomenda-se a utilização de papel de jornal, um material leve que permite o arejamento do mesmo enquanto absorve a humidade em excesso. Estes devem ser embrulhados individualmente, por razões fitossanitárias e armazenados numa caixa de cartão. Deve evitar plásticos devido à retenção da humidade.
- Conservação – após o armazenamento e a identificação das suas plantas, coloque os bolbos num local seco e fresco, com cerca de 10 graus Centígrados. Recomendamos que esteja atento a odores que indiquem podridão e que vá verificando periodicamente o estado fitossanitário dos mesmos de forma a continuar a seleção dos bolbos afetados.
- Experimente e junte esta experiência à construção do seu jardim! Por cá, continuamos a trabalhar consigo de forma a melhorar o nosso serviço prestado.
Fique connosco para uma próxima HortAmada!



