A aquacultura pode ser subdividida em várias áreas, consoante uma característica relevante, como por exemplo se produz organismos de água doce ou de água salgada ou o tipo de organismos como acontece na piscicultura.
Moluscicultura
É a cultura de moluscos. Praticamente não há produção de moluscos de água doce ou se existir, esta é residual, pelo que podemos afirmar que quando se fala da produção de moluscos, falamos de um tipo de maricultura ou aquacultura de seres marinhos. Os tipos de moluscos mais produzidos são a amêijoa, a ostra e o mexilhão o que ajudou a generalizar os termos “ostreicultura” ou seja a cultura de ostras e “mitilicultura”, sendo este, referente à cultura do mexilhão.
A amêijoa boa é o tipo de molusco mais produzido em Portugal, segundo dados do INE de 2012 mas a produção do mexilhão e da ostra tem vindo a aumentar. Existe uma cultura bem enraizada na apanha da amêijoa selvagem mas vai perdendo adeptos devido a restrições da apanha e da poluição como acontece no estuário do Tejo. A produção de ostras e mexilhões recorre mais a viveiros com áreas de produção bem delimitados e licenciados. A ostra produzida em Portugal tem vindo a ganhar maior relevo, no mercado internacional e sobretudo em França. Alguns produtores franceses, a braços com algumas doenças que têm aparecido nos seus locais de produção têm-se virado para outras zonas de produção sem estes problemas, o que tem proporcionado boas oportunidades de negócio com os produtores portugueses, que têm formado parcerias e assim exportando o grosso da sua produção. Também tem surgido um aumento da produção da ostra portuguesa (Crassostrea angulata) em Portugal, comparando com a ostra japonesa (Crassostrea giga), que é espécie mais usada na produção europeia e que tem sofrido episódios com elevadas taxas de mortalidade, essencialmente em França.
Áreas Produtivas
As áreas de maior produção concentram-se no estuário do Sado e na ria Formosa. Também existem outras zonas com uma produção significativa, nomeadamente na ria de Aveiro, no estuário do Mondego, no estuário do Tejo, na ria de Alvor e no estuário do Guadiana. Mais recentemente, houve aposta na produção fora destas zonas resguardadas, em mar aberto, nalguns locais bem identificados a poucos quilómetros da costa algarvia e com excelentes resultados, baseado na produção de mexilhão com certificação biológica, que é a primeira certificação do modo de produção aquícola biológico atribuída pela SGS, líder Mundial em certificação. A Companhia de Pescarias do Algarve, também com produção “off shore” de mexilhão, tem uma certificação de produção sustentável dada pela Marine Stewardship Council (MSC), uma organização sem fins lucrativos. A produção em mar aberto traz outra vantagem: ao produzir em meios menos contaminado por algas tóxicas e poluentes tais como, metais pesados, a necessidade de recorrer a depuradores torna-se menos pertinente, reduzindo custos e tempo no seu processamento e despacho. Pois em muitos locais, rias e estuários, deveríamos recorrer à depuração que consiste em retirar poluentes e toxinas de modo a tornar o consumo destes moluscos bivalves seguro. A aposta na produção de bivalves em Portugal parece ser uma aposta acertada e, muito se deve à qualidade da água da costa portuguesa aliada a outras condições vantajosas.



