Portugal pertence à região de clima mediterrâneo, um clima que sofre influências marítimas e que se destaca pelos seus verões quentes e secos e os invernos amenos e chuvosos.
Em junção com a exposição solar que o nosso país tem, criam-se condições ideias para muitas culturas que encontram conforto em solos portugueses. No entanto, nem todos os anos se verificam estas condições.
Passado Vs. Presente
Durante o presente ano de 2017, assiste-se a um cenário idêntico ao ano de 2005 onde a seca “arrasou” as explorações agrícolas, secou barragens e serviu de rastilho a milhares de incêndios que resultaram em cerca de 339 mil hectares de área florestal perdida, sendo este o ano com um maior período de seca nos últimos 30 anos.
Passados 12 anos, a situação repete-se sendo o ano de 2017 já considerado o segundo pior ano de seca no mesmo período de tempo, ainda com espaço para destronar o ano de 2005 caso a situação se mantenha.
Esta situação já levou a que o Governo tomasse medidas de forma a salvaguardar os produtores através de apoios para a melhoria na eficácia da rega, aumentando a eficiência e diminuindo o desperdício de água através da instalação de novos sistemas de rega, locais de armazenamento de água e implementação da agricultura de precisão.
Alterações climáticas
No entanto, qual será a causa para estes fenómenos?
A seca é a junção de altas temperaturas, que levam a uma maior necessidade de água pelos seres vivos, assim como à sua evaporação, com a falta de precipitação em quantidades suficientes para a reposição de água no solo, ou seja, a água é absorvida (pelas plantas, por evaporação ou pelo consumo animal) a uma velocidade superior do que a velocidade da sua reposição, levando a solos secos e áridos.
É de facto, normal observar a falta de precipitação no nosso país. No entanto, o fator que está a pesar mais para o acentuar da seca são as temperaturas elevadas.
Desde que o nosso planeta foi formado, já sofreu várias alterações de temperatura e radiação. Esta será a maior razão pela qual alguns cépticos não acreditam nas alterações climáticas:
– É só mais uma fase que o planeta está a passar, temos de nos adaptar….
Isto é apenas parcialmente verdade. A Terra já sofreu várias alterações de temperatura, no entanto, essas foram alterações demoraram centenas de anos a ocorrer. Desde a industrialização, o aumento de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera aumentou em cerca de 34%, com subidas do mesmo todos os anos apesar do aumento da sensibilização dos países face a este problema, podemos ver nos gráficos seguintes a diferença de dióxido de carbono na atmosfera nos últimos 50 anos.


Tais subidas levaram ao aumento das médias da temperatura em cerca de 1 grau centígrado. Pode parecer pouco, no entanto se eventualmente, conforme está previsto, ocorrer o aumento de dois graus centígrados em Portugal até 2100, a diferença levará a Primaveras e Outonos com longos períodos de seca, chuvas centradas no Inverno e temperaturas de Verão a rondar os 37 e 40 graus. Ou seja, deixaremos de ter o clima mediterrâneo para passar a ter um clima mais próximo do tropical.
Consequências
Estas subidas de temperatura não afetarão apenas o modo como lidamos com as estações, mas também com a nossa agricultura. Culturas que encontram condições ideais em território português como os frutos secos, a oliveira, entre outros, deixarão de ter as preciosas horas de frio no inverno levando a uma diminuição da produção.
O aumento da temperatura levará a condições ideais para a propagação de doenças e dos seus vetores como os mosquitos, tornando a sua proliferação muito mais fácil.
A deslocação de milhares de pessoas que vivem no litoral será obrigatória devido ao arrastamento de sedimentos sem a sua devida reposição (algo que acontece graças às barragens nos rios e aos paredões) e ao degelo que levará ao aumento do nível do mar em cerca de 1 metro, engolindo praias, casas e praças abaixo dessa altura, algo que já começamos a ver em algumas praias Portuguesas como o Furadouro (Ovar).
Adaptar
Existem várias ações humanas que estão a contribuir para estes acontecimentos e a criar um ciclo vicioso. A desflorestação, por exemplo, leva ao aumento da temperatura naquele local, o que leva ao aumento da evapotranspiração, diminuindo a água no solo e aumentando o período de seca.
Para tal, é necessário que o ser humano tome consciência e se aperceba das consequências dos seus atos.
Reflorestação, reaproveitamento e eficiência dos nossos recursos são algumas das muitas soluções que podem ser colocadas em prática para contrariar esta tendência.
A diminuição da dependência em combustíveis fósseis torna-se cada vez mais crucial de ano para ano, sendo já valorizado o uso de energias limpas na agricultura, como os painéis solares como fonte de alimentação elétrica.
Hoje, com o conhecimento fornecido a todo o tipo de público, torna-se cada vez mais imperativo salvaguardar os nossos recursos.
Mas isso por si só não será nunca suficiente, se paralelamente não começarmos desde já a produzir com os olhos postos num futuro (breve) e indo ao encontro do que são, não as tendências do mercado (o que acontecia até agora) mas das alterações climáticas. Teremos que ser nós a nos adaptar ao que a natureza nos oferece, pensar o contrário é, no mínimo utopia.
Na Terra D’Ouro trabalhamos em conjunto com os nossos clientes para tomar as melhores decisões a nível económico e ambiental, em todas as áreas de negócio.
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